quarta-feira, 5 de março de 2014

A vela que não te leva

Eu gosto de velas perfumadas, coloridas. Mas nunca as acendo, mesmo sabendo que podem liberar um cheiro gostoso. Tenho pena de queimar. Elas acabam tão rápido!
Não que eu faça algo com elas apagadas, por que nem para decoração as uso. Não faço nada, nem acendo. 

Não esqueço.

É como ter o teu numero de telefone salvo na minha agenda. Ele está ali, apenas. Não te ligo, nem mando mensagem. Por tanto tempo, e tantas vezes, fiz isso. Em muitas vezes me arrependi depois de já ter apertado o botão enviar. Tarde demais. Mas nem arrependimento eu sinto mais, por que não nos falamos. Não há comunicação.

Se eu acender uma vela, e me arrepender depois, ainda posso assoprar bem rápido, apagar o fogo, preservar a vela. Ela vai ficar diferente; o pavio vai ficar preto, e vai ficar um cheiro de fumaça no ar, mas a vela ainda será bonita e cheirosa se eu a apagar a tempo. Já uma mensagem enviada não tem volta, não há o que fazer. Bem como um toque no telefone, ou um único sinal de chamando já é suficiente para estragar tudo. Para transformar o silencio em recordação.


Acho que não lembro mais como é o som da tua voz.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A nossa casa

Nós vamos morar numa casa grande, meio que uma cabana, com vidros. No meio do mato, mas perto da cidade. Não conseguimos viver muito longe de um supermercado grande, ou de uma livraria. Mas não seremos escravos do consumismo.
Na nossa casa não vai faltar café, nem flores vivas e coloridas. Tens cara de quem gosta de cuidar de jardim. Caetano Veloso seria o número um de todas as playlists tocadas na nossa casa.
Iriamos danças felizes nos fins de tarde, pra relaxar depois de um longo dia de trabalho. Teríamos um cachorro, por que sei que gostas demais de todos eles. Mas teria que ser um grande, por que eu gosto de cachorro grande.

Até onde os sonhos se tornam realidade?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

(para a) Flor

Tem pessoas que vão embora todos os dias. E todo novo dia parece uma descoberta, uma reconquista. Em certo ponto, é bom. Não cai na mesmice, há menos chance de perder. O Cicero diz que a gente deixa de cuidar o que já tem na mão – e eu concordo com ele.

Estou desacreditada nesse negocio de que o amor é bem maior. Talvez falte amor na minha vida e por isso eu esteja pensando isso, quando no fundo o que realmente quero é estar errada, e mudar de opinião com relação a isso.

Mas tem gente que eu consigo amar todos os dias. Que eu descubro que amo todos os dias. Quando desisto, ressurge. Quando não quero acordar, vem o abraço de bom dia. Por que a vida sempre continua, o sol sempre nasce de novo, mesmo quando os dias parecem bem nublados, quando todas essas nuvens encobrem a tristeza da distancia. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Eu abri uma cerveja e fiquei olhando para fora, para as luzes da rua, para a noite. Olhei para o lugar onde moravas, pois eu consigo vê-lo da minha janela agora, e é inevitável não lembrar. Ainda mais num dia como hoje.
Se eu pudesse fumar, acenderia um cigarro e assopraria toda a fumaça na direção do teu prédio.
Se eu pudesse falar, diria que gosto de ti como nunca gostei de outra pessoa na vida, que es único. Por que eu sempre falei, ou quis falar, isso mesmo que tu já soubesses.
Hoje não somos mais os mesmos. Mas será que ainda tem alguma coisa? Não diria que restou algo, por que restos surgem quando algo termina. E não dá pra terminar o que nunca começou.
O amor pode se transformar em tantas coisas, não é mesmo?
Queria saber no quê nos transforamos.
Repare que sempre escrevo como se alguém estivesse me lendo. E talvez tenha mesmo. E em muitas situações o leitor especial que eu gostaria de ter é um sujeito diferente. Bem diferente. Sujeitos e sujeitas. Quando escrevo pra ti, escrevo para o vazio. Para o nada.
Um dia ainda te pergunto se me lês.

Um dia. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

quem me inspira?

Comprei canetas novas
Tentei escrever em outros lugares
Tudo para incentivar a inspiração
De nada adiantou.
Nem uma risco saiu.
Há quanto tempo dura essa seca?
Onde estão as letras, as linhas
E a inspiração?

Cadê você?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

da saudade

Senti saudade
e me senti covarde
Mas quem pode dizer  
que não posso sentir isso?
Se sou eu quem sofro
e eu quem sinto.
Sinto muito.
Te sinto.
Tua falta.
Te quero.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

sofá

Estupidamente sentada no meu sofá foi tudo o que fiz e sonhei durante todo o tempo que estive nessa cidade. Se eu fosse um objeto, seria este sofá. Ele é feio e alaranjado, mas passei tanto tempo dele, tem tanta coisa minha em cima dele, que ele bem me representa.
Aqui eu sonhei com dias melhores, estudei tantas coisas sem sentido, tanto papéis e bundas e lágrimas passaram por aqui. Aqui me dei conta, tantas vezes, da mediocridade em que eu me encontrava, da medíocre solidão, regrada a auto depreciação por que otimismo foi algo que nunca acreditei. Me fodi tanto que essa palavra até perdeu o significado pra mim.
Aqui sonhei em ser alguém na vida, em ter um lugar no mundo. Reclamei do salto da vizinha, fiz várias refeições. Virei café, dormi e passei mal também.
Eu tocaria fogo nesse sofá.
Agora estou, novamente, num desses momentos de mediocridade, em que eu poderia estar fazendo qualquer coisa – lendo um livro, assistindo alguma coisa, estudando. Mas nem musica estou ouvindo. Não estou fazendo absolutamente nada. Talvez essa seja uma das definições para a expressão “viajando” que os jovens gostam tanto de usar.
Sou uma viagem. Uma bad trip, talvez.
A cada dia, me reconheço mais, e isso é bom. Apesar das incertezas, me reconheço. Apesar da solidão também, que parece não ter fim, parece realmente fazer parte de mim. Até me identifico.
Mas uma pessoa não passou por aqui. Não conhece esse sofá, e talvez não mais me conheça, ou não me reconheça. Pois é, você.