Tantos eram os arrependimentos por ter estado lá. Havia uma revolução interna - precisava ser diferente, fazer diferente. A mudança viria com os novos fios de cabelo?
Lugar imundo, fétido. Apenas seu asco se enobrecia ali. Desfrutar daquele prazer carnal não o faria mais homem, nem mais experiente. O faria, possivelmente, mais bruto.
A ânsia o dominava. Sua beleza minimizada na timidez de quem era um novato ali.
Pediu a ela que não falasse uma palavra sequer. Não tinha esse direito e ele não estava ali para ouvir.
Ela, contrária ao pedido que soou como ordem, disse que não tinha direito a nada mesmo, seria algo a menos pra quem não tinha quase nada. Não sabia ela que tão poucas palavras ocasionariam tantas mudanças.
Por um instante ele perdeu o conhecimento elementar.
Deu a ultima tragada no cigarro e jogou uns trocados em cima da cama. Pensou na pobre criatura que ali estava. O que fez para merecer aquela vida cruel?ou será que ela gostava daquilo? Faltou-lhe coragem, mas por outro lado sobraria orgulho. Bateu a porta e saiu. Sentiu-se no direito de não precisar dar satisfações a ela, que ficou do lado de dentro sem entender quase nada - como de costume.
Ei, você não pode sair assim sem pagar!
Deixei o dinheiro lá em cima, no quarto.
Aqui as coisas não funcionam assim. É a mim que você tem que pagar e não me interessa o que você fez lá dentro. Porém, confesso que fiquei curioso, afinal você foi mais rápido do que o costume.
Pouco me interessa o senhor e suas dúvidas.
Virou às costas e saiu.
Antes de por o primeiro pé fora da porta um copo voa, não tão misteriosamente, em sua direção.
Se não vejo o dinheiro compartilho o prejuízo!
Cinco pontos na nuca, dor e além de um pouco de sangue, perdera o cabelo. O médico precisava suturar o ferimento com precisão. Não tinha raspado a cabeça nem quando passou no vestibular.
Não se reconheceu na frente do espelho.
terça-feira, 27 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Você
Sonhei com você esta noite,
novamente.
Incontáveis noites sonhadas
intermináveis dias não vividos
Não sei mais onde você está
não podes me ouvir, sequer me ler
E, mesmo assim
eu penso em você.
novamente.
Incontáveis noites sonhadas
intermináveis dias não vividos
Não sei mais onde você está
não podes me ouvir, sequer me ler
E, mesmo assim
eu penso em você.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Horizonte
As ideias fogem
O som não é ouvido
Impossível compreender o próprio pensamento
Onde está com a cabeça? alguns podem perguntar
a cabeça não sei, mas os olhos sempre buscam o futuro.
O som não é ouvido
Impossível compreender o próprio pensamento
Onde está com a cabeça? alguns podem perguntar
a cabeça não sei, mas os olhos sempre buscam o futuro.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Imensurável
Um semestre passa tão rápido, ou tantas são nossas ocupações que nem o vimos passar. E nisso, detalhes fundamentais passam despercebidos.
Quando não gostamos de uma pessoa, agüentá-la por seis meses é algo que requer paciência. Tempo este também suficiente para marcar a eternidade.
Talvez este período seja curto pra conhecer realmente uma pessoa, saber dos seus sentimentos, seus desejos, sua vida. A menos que essa pessoa seja transparente, ou queira transparecer-se. Porém, afeto e afinidade não possuem medida, escala ou tempo que fará dizer como senti-lo. Simplesmente acontece.
Um fato marcou a minha turma de Farmácia hoje (vinte e quatro de junho). Pra alguns pode ter passado despercebido, mas garanto que mexeu com muitos. Lá no fundo.
Tantas são as formas de amor... todas aquelas velhas máximas conhecidas.
Mas amor alheio é diferente. É quase imperceptível. É bacana, pois demonstra que aquela pequena gota de água em meio ao grande oceano tem o seu valor.
Em um mundo aparentemente tão gelado parece complicado falar de sentimentos, expor o que há de mais profundo nas entranhas, deixar cair lágrimas que remetem a um passado marcante. Isso tudo faz uma pessoa ser especial. Compartilhar esse emaranhado de sentimento com alguém também faz destas pessoas especiais. E honradas.
Não consigo ter noção das dimensões sentimentais do semestre; saber se foi suficiente ou deixou a desejar em algum ponto. Posso apenas dizer que não há nomenclatura anatômica que define o que sai do coração.
Quando não gostamos de uma pessoa, agüentá-la por seis meses é algo que requer paciência. Tempo este também suficiente para marcar a eternidade.
Talvez este período seja curto pra conhecer realmente uma pessoa, saber dos seus sentimentos, seus desejos, sua vida. A menos que essa pessoa seja transparente, ou queira transparecer-se. Porém, afeto e afinidade não possuem medida, escala ou tempo que fará dizer como senti-lo. Simplesmente acontece.
Um fato marcou a minha turma de Farmácia hoje (vinte e quatro de junho). Pra alguns pode ter passado despercebido, mas garanto que mexeu com muitos. Lá no fundo.
Tantas são as formas de amor... todas aquelas velhas máximas conhecidas.
Mas amor alheio é diferente. É quase imperceptível. É bacana, pois demonstra que aquela pequena gota de água em meio ao grande oceano tem o seu valor.
Em um mundo aparentemente tão gelado parece complicado falar de sentimentos, expor o que há de mais profundo nas entranhas, deixar cair lágrimas que remetem a um passado marcante. Isso tudo faz uma pessoa ser especial. Compartilhar esse emaranhado de sentimento com alguém também faz destas pessoas especiais. E honradas.
Não consigo ter noção das dimensões sentimentais do semestre; saber se foi suficiente ou deixou a desejar em algum ponto. Posso apenas dizer que não há nomenclatura anatômica que define o que sai do coração.
domingo, 20 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
Desassossego
Caminhava sozinha, pela segunda noite consecutiva (...) a escuridão diminuída pelo postes. Tantas pessoas ali perto, dentro de suas casas, que nada podiam fazer.
Não tinha medo. Receio talvez. Os avisos e conselhos previam o pior - que parecia estar em outro lugar.
Ouvia seus próprios passos, via sua sombra, duplicada, na calçada. Pensamentos desenfreados.
Sentia o frio penetrante. Suas costelas pareciam farpas. Doía.
Os pés queriam caminhar rapidamente, mas a alma não deixava.
Pensava no conforto do lar, nas pessoas que amava, no seu mundo limitado. Não via as pessoas como oportunidades.
Não sabia como as via.
A caneta vermelha que redigia os pensamentos incessantes.
O cobertor quentinho.
O voar na madrugada.
Não tinha medo. Receio talvez. Os avisos e conselhos previam o pior - que parecia estar em outro lugar.
Ouvia seus próprios passos, via sua sombra, duplicada, na calçada. Pensamentos desenfreados.
Sentia o frio penetrante. Suas costelas pareciam farpas. Doía.
Os pés queriam caminhar rapidamente, mas a alma não deixava.
Pensava no conforto do lar, nas pessoas que amava, no seu mundo limitado. Não via as pessoas como oportunidades.
Não sabia como as via.
A caneta vermelha que redigia os pensamentos incessantes.
O cobertor quentinho.
O voar na madrugada.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Ele, o tempo.
O tempo. Dominador de atos, ações, vidas. Não somos nada sem ele ao mesmo tempo em que ele nos trai.
Estamos no início - de alguma coisa, que, inclusive, se delimita por ele.
O tempo é quem diz quando começa e quando termina, apesar das nossas vontades, que muitas vezes não são nada pra ele.
Quando a semana está ruim e algo chato aconteceu queremos que o tempo acelere, passe mais rápido, para amenizar o sofrimento, pois como diz a máxima “o tempo cura tudo”. Entretanto, quando algo mágico acontece tentamos parar o tempo. Queremos congelá-lo, guarda-lo num potinho a fim de lembrar pra sempre e fazer do tempo a eternidade da lembrança.
Ele confunde-se em nossos desejos, falhas, acertos.
Nos domina, nos liberta, aniquila.
Se não temos mais tempo não temos mais vida, as chances estão se esgotando.
Será? Que fim? Onde ele está? O tempo realmente diz quando é o fim ou o começo?
Deixamos de viver por não ter tempo. É.
As pessoas passam, não podemos dar um passo atrás e redescobri-la, por que o tempo passou.
Não festejamos, não saímos, não lemos, não estudamos, não vamos a praia, não vivemos - apenas existimos.
Perdemos momentos preciosos. Por culpa dele.
Ele parece escapar por entre os dedos, não nos pertencer mais.
O tempo criou a saudade.
O tempo impõe o ritmo.
O tempo é a vida.
“Sei que as vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”
Estamos no início - de alguma coisa, que, inclusive, se delimita por ele.
O tempo é quem diz quando começa e quando termina, apesar das nossas vontades, que muitas vezes não são nada pra ele.
Quando a semana está ruim e algo chato aconteceu queremos que o tempo acelere, passe mais rápido, para amenizar o sofrimento, pois como diz a máxima “o tempo cura tudo”. Entretanto, quando algo mágico acontece tentamos parar o tempo. Queremos congelá-lo, guarda-lo num potinho a fim de lembrar pra sempre e fazer do tempo a eternidade da lembrança.
Ele confunde-se em nossos desejos, falhas, acertos.
Nos domina, nos liberta, aniquila.
Se não temos mais tempo não temos mais vida, as chances estão se esgotando.
Será? Que fim? Onde ele está? O tempo realmente diz quando é o fim ou o começo?
Deixamos de viver por não ter tempo. É.
As pessoas passam, não podemos dar um passo atrás e redescobri-la, por que o tempo passou.
Não festejamos, não saímos, não lemos, não estudamos, não vamos a praia, não vivemos - apenas existimos.
Perdemos momentos preciosos. Por culpa dele.
Ele parece escapar por entre os dedos, não nos pertencer mais.
O tempo criou a saudade.
O tempo impõe o ritmo.
O tempo é a vida.
“Sei que as vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”
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