Assistindo a um programa de televisão (abraço pras minhas férias que me proporcionam momentos assim) três mulheres e um homem discutiam, dentre outros assuntos, sobre necessidades materiais, com uma pitada de consumismo. E então surgiu a pergunta: “quais os cinco objetos que você não consegue viver sem?”
Imediatamente eu respondi três coisas: o óculus(sou míope até debaixo d`água), algo pra prender o cabelo, a vulgarmente chamada de piranha, que incomoda um bocado agora no verão e o computador, meu fiel companheiro. Eu o amo mesmo sem internet hahaha.
Influenciada pelas mulheres do programa, de TV, pensei no cartão de crédito – que é bem útil(consumismo à parte) e pode quebrar vários galhos. Mas eu não lembraria dele se não fosse por elas.
O homem, que também estava ali no programa, falou da imagem de uma santa que leva sempre consigo.
Como uma mulher normal, carrego vários objetos na minha bolsa. Eles não saem de lá e eu não saio sem eles então eles deveriam ser fundamentais, né?
O mais importante desses objetos, da bolsa, talvez seja uma caneta. Tecnologia pode falhar, pifar, não ter sinal, acabar a bateria. A caneta permace soberana nesse quesito. E na falta de ter onde escrever utiliza-se o corpo(que atire a primeira pedra quem nunca escreveu um lembrete na mão).
E pra você, quais são os objetos que sem os quais você não viveria?
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Fartura
-Será que é exagero? O que você acha?
-Extravagância.
-Ai, não quero pensar em arrependimento..
-Na hora você achou digno. Achou que precisava mesmo de tudo aquilo. Foi lá e fez.
-Pensei que necessitava de muito pra me satisfazer. Esbanjar, sabe? Aquilo que você queria muito quando era criança e não podia por que sua mãe nao deixava. É quase isso.
-Liberdade permite essas coisas, de certa forma essas luxúrias hahaha.
-Foi mais forte que eu. Essa variedade de cores, tamanho, consistência.
-E sabor, né.
-Claro! gosto é fundamental.
-Achei que não daria conta, que não caberia.
-Você sempre consegue dar um jeitinho que eu sei. Mas parece que quer sempre mais..
-Insasiável?
-Ui hahaha
-Não pensei nas consequências. Tava com vontade. Com várias vontades..
-Se empolgou logo de cara
-Sai pegando mesmo!
-E esse cheiro irresistível, hein?
-Tentador.
-Quanto mais perto se chega mais vontade dá.
-Eu gosto daqui, desse lugar. É arejado e o atendimento é bom.
-As opções então, nem sem fala.
-Precisamos de uma coca-cola pra digerir tudo isso. Você aceita?
-Não consigo engolir mais nada. Essa churrascaria vai me deixar sem fome durante boas horas.
-Sem esquecer do buffet livre.
-É!
-Não quer nem um cafézinho?
-Não, obrigada.
-Extravagância.
-Ai, não quero pensar em arrependimento..
-Na hora você achou digno. Achou que precisava mesmo de tudo aquilo. Foi lá e fez.
-Pensei que necessitava de muito pra me satisfazer. Esbanjar, sabe? Aquilo que você queria muito quando era criança e não podia por que sua mãe nao deixava. É quase isso.
-Liberdade permite essas coisas, de certa forma essas luxúrias hahaha.
-Foi mais forte que eu. Essa variedade de cores, tamanho, consistência.
-E sabor, né.
-Claro! gosto é fundamental.
-Achei que não daria conta, que não caberia.
-Você sempre consegue dar um jeitinho que eu sei. Mas parece que quer sempre mais..
-Insasiável?
-Ui hahaha
-Não pensei nas consequências. Tava com vontade. Com várias vontades..
-Se empolgou logo de cara
-Sai pegando mesmo!
-E esse cheiro irresistível, hein?
-Tentador.
-Quanto mais perto se chega mais vontade dá.
-Eu gosto daqui, desse lugar. É arejado e o atendimento é bom.
-As opções então, nem sem fala.
-Precisamos de uma coca-cola pra digerir tudo isso. Você aceita?
-Não consigo engolir mais nada. Essa churrascaria vai me deixar sem fome durante boas horas.
-Sem esquecer do buffet livre.
-É!
-Não quer nem um cafézinho?
-Não, obrigada.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
pensamento alto
Hoje escolhi sentar perto da janela. São 3h da manhã, não tem lua mas daqui do sofá posso ver o céu.
A cidade calada, nenhum carro na avenida.
Vejo as luzes da cidade algumas piscam ao longe.
Será que alguém me ouviria?
Acabei de fazer algo por alguém que a tempos não fazia. Esse mundo tecnológico não é de todo confiável. Você manda um recadinho e se não há resposta não se sabe se realmente chegou.
Escreve-se para olhos invisíveis. Olhos que, muitas vezes, não querem nem saber.
Eu seria feliz se os meus pensamentos se tornassem realidade?
O pior é: como torna-los?de que jeito?
Quando a complexidade do poder existir torna- se um impedimento para realizações, oq fazer?como agir?
E eu nem sei se (te) quero.
Feliz ano novo
A cidade calada, nenhum carro na avenida.
Vejo as luzes da cidade algumas piscam ao longe.
Será que alguém me ouviria?
Acabei de fazer algo por alguém que a tempos não fazia. Esse mundo tecnológico não é de todo confiável. Você manda um recadinho e se não há resposta não se sabe se realmente chegou.
Escreve-se para olhos invisíveis. Olhos que, muitas vezes, não querem nem saber.
Eu seria feliz se os meus pensamentos se tornassem realidade?
O pior é: como torna-los?de que jeito?
Quando a complexidade do poder existir torna- se um impedimento para realizações, oq fazer?como agir?
E eu nem sei se (te) quero.
Feliz ano novo
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Café da manhã
Ele tomava banho enquanto ela preparava o café da manha para eles.
Não fazia sol naquela manha cinza e fria, lá fora. O clima dentro de casa era agradável para ficar de meias.
- Ouvi barulho lá do banheiro, o que você está aprontando?
- Bom dia. Estou preparando nosso café da manha.
Ele abraçou-a pelas costas pois ela estava virada para a pia fazendo a massa dos waffles. Ela pode sentir o cheiro de banho tomado dele e dar um beijo na cabeça com cabelos úmidos.
- Você gosta de café com açúcar?
- Gosto, mas não muito doce.
- Fiz waffles pra gente, espero que tenham ficado bons. Não tenho muita prática com a medida da farinha.
- Eles estão ótimos! segurou na mão dela e sorriu.
Aquele gesto de carinho era uma grandiosidade visto que ele não costumava praticar o amor por aí.
- Há tanto tempo não recebo um mimo que nem sei se sou digno de..
- Como assim? perguntou ela
- Você me recebeu em sua casa, me ouviu teve paciência comigo e tudo isso com sinceridade. As pessoas não me tratam desse jeito, muito pelo contrário..
- Deve ser o ar de superioridade que você transmite.
- Não sou acessível?
- Até onde você se deixar ser?
Na noite anterior aos waflles eles haviam conversado durante um bom tempo no sofá da sala.
Dela.
Cazuza conta melhor do que eu essa parte: “Quando a gente conversa contando casos, besteiras. Tanta coisa em comum deixando escapar segredos E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo”
Ela aproximou-se dele, segurou na mão e começou a fazer carinhos delicados e a brincar com os dedos dele.
Beijaram-se lentamente.
Sem pudor, sem malicias, com toda o carinho que pode existir.
Passava da meia noite e o sono apareceu.
Ele, com a cabeça encostada no sofá, aparência cansada.
- Você quer dormir aqui?
- Mas..eu não..
Ela interrompeu-lhe a fala com um beijo
- dormir. Tem lugar pra você aqui.
- É, tem o sofá.
- Na minha cama tem espaço suficiente pra nós dois.
- Você tem certeza? Não se importa?
- Não. Vai ser como se estivéssemos sentados aqui, a única diferença é que estaremos confortavelmente deitados.
Ele deitou no lado da parede.
Ela foi depois. Apagou as luzes, fechou as cortinas e deixou apenas a luz da cabeceira acesa.
Virou-se de lado na cama e ficou a olhá-lo.
Ele sorriu um sorriso envergonhado, sentindo-se um pouco intruso ali.
Ela então encostou a cabeça no ombro ele, mãos dadas e a outra mão dela a acariciar-lhe os cabelos.
- Feche os olhos e tente dormir.
O cheiro dela fazia ele se sentir incrivelmente bem, por menor que fosse o tempo que o sentisse, por pouco que a conhecia. Um cheiro bom, do bem. De fazer bem.
Aquele jeito envolvente sem ser invasor o encantou. Era o que ele precisava. Pra pegar no sono envolvido numa mulher.
Quando ele adormeceu ela deu um sorrisinho, virou-se para o outro lado, puxou o edredom e dormiu.
- Pode parecer egoísmo mas me pergunto por que você esta agindo desse jeito comigo. Por que esta fazendo tudo isso pra mim?
- Quero deixar claro que não tenho nenhum interesse maior agindo dessa maneira contigo.
- Não, não! Desculpe se pareceu que eu quis dizer isso. Longe de mim! É que..
- Como você se sente?
- Me sinto vivo! Tive varias mulheres nessa vida. Na real, nenhuma delas foi realmente minha. E essa sua sinceridade ate me assusta.
- Eu quero que você se sinta bem, ao menos um pouco melhor do que quando chegou aqui.
- Me sinto como uma pessoa de verdade! com carne, osso,pele, olhos e boca! Você me deu um sopro de vida!
Ela sorriu puramente, com um ar de satisfação.
- Tão bom transmitir e pode ser compreendida (!)
Não fazia sol naquela manha cinza e fria, lá fora. O clima dentro de casa era agradável para ficar de meias.
- Ouvi barulho lá do banheiro, o que você está aprontando?
- Bom dia. Estou preparando nosso café da manha.
Ele abraçou-a pelas costas pois ela estava virada para a pia fazendo a massa dos waffles. Ela pode sentir o cheiro de banho tomado dele e dar um beijo na cabeça com cabelos úmidos.
- Você gosta de café com açúcar?
- Gosto, mas não muito doce.
- Fiz waffles pra gente, espero que tenham ficado bons. Não tenho muita prática com a medida da farinha.
- Eles estão ótimos! segurou na mão dela e sorriu.
Aquele gesto de carinho era uma grandiosidade visto que ele não costumava praticar o amor por aí.
- Há tanto tempo não recebo um mimo que nem sei se sou digno de..
- Como assim? perguntou ela
- Você me recebeu em sua casa, me ouviu teve paciência comigo e tudo isso com sinceridade. As pessoas não me tratam desse jeito, muito pelo contrário..
- Deve ser o ar de superioridade que você transmite.
- Não sou acessível?
- Até onde você se deixar ser?
Na noite anterior aos waflles eles haviam conversado durante um bom tempo no sofá da sala.
Dela.
Cazuza conta melhor do que eu essa parte: “Quando a gente conversa contando casos, besteiras. Tanta coisa em comum deixando escapar segredos E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo”
Ela aproximou-se dele, segurou na mão e começou a fazer carinhos delicados e a brincar com os dedos dele.
Beijaram-se lentamente.
Sem pudor, sem malicias, com toda o carinho que pode existir.
Passava da meia noite e o sono apareceu.
Ele, com a cabeça encostada no sofá, aparência cansada.
- Você quer dormir aqui?
- Mas..eu não..
Ela interrompeu-lhe a fala com um beijo
- dormir. Tem lugar pra você aqui.
- É, tem o sofá.
- Na minha cama tem espaço suficiente pra nós dois.
- Você tem certeza? Não se importa?
- Não. Vai ser como se estivéssemos sentados aqui, a única diferença é que estaremos confortavelmente deitados.
Ele deitou no lado da parede.
Ela foi depois. Apagou as luzes, fechou as cortinas e deixou apenas a luz da cabeceira acesa.
Virou-se de lado na cama e ficou a olhá-lo.
Ele sorriu um sorriso envergonhado, sentindo-se um pouco intruso ali.
Ela então encostou a cabeça no ombro ele, mãos dadas e a outra mão dela a acariciar-lhe os cabelos.
- Feche os olhos e tente dormir.
O cheiro dela fazia ele se sentir incrivelmente bem, por menor que fosse o tempo que o sentisse, por pouco que a conhecia. Um cheiro bom, do bem. De fazer bem.
Aquele jeito envolvente sem ser invasor o encantou. Era o que ele precisava. Pra pegar no sono envolvido numa mulher.
Quando ele adormeceu ela deu um sorrisinho, virou-se para o outro lado, puxou o edredom e dormiu.
- Pode parecer egoísmo mas me pergunto por que você esta agindo desse jeito comigo. Por que esta fazendo tudo isso pra mim?
- Quero deixar claro que não tenho nenhum interesse maior agindo dessa maneira contigo.
- Não, não! Desculpe se pareceu que eu quis dizer isso. Longe de mim! É que..
- Como você se sente?
- Me sinto vivo! Tive varias mulheres nessa vida. Na real, nenhuma delas foi realmente minha. E essa sua sinceridade ate me assusta.
- Eu quero que você se sinta bem, ao menos um pouco melhor do que quando chegou aqui.
- Me sinto como uma pessoa de verdade! com carne, osso,pele, olhos e boca! Você me deu um sopro de vida!
Ela sorriu puramente, com um ar de satisfação.
- Tão bom transmitir e pode ser compreendida (!)
domingo, 24 de outubro de 2010
Diálogo racional dos objetos
O lápis e o garfo conversavam. Em tempos de eleição até eles falavam de assuntos ligados a sociedade.
- O que seria dos estudantes se não fosse a escola, a educação, e eu(!) por tabela?diz o lápis
- Ninguém aprende de barriga vazia. Se não há comida não tem como, meu querido.
Todo o resto fica em segundo plano. afirma o lápis.
- Então quer dizer que você pensa que um prato de comida é o suficiente? Que os problemas serão resolvidos se fosse tiver o que comer?
- Suficiente sim. Claro que não somente isso. Mas sem isso o que seria?
- E sem educação, o que seria?
- Seria irracional. Sem um futuro digno, se posso dizer assim..
- Como animais. Que vivem, ou melhor, sobrevivem tendo o que comer apenas. Se bem que tem muita gente por aí que..
- Lápis, você é o “alimento” da inteligência. Eu sou o alimento físico.
- Ninguém vive sem a gente, falou o lápis.
- Sem você até vai, agora sem mim..
- Ah não! Novamente essa discussão de importâncias. Você é um cabeça dura!
- Se nem os seres humanos, racionais, entram em acordo como nós, meros objetos criaremos um novo dogma social ‘alimento-educacional - você depende disso!’
- Que acomodado, garfo!
- Você quer discutir infinitamente, é isso? Por que não simplesmente aceita o fato de sermos usados..
- Mesmo que eu quisesse mudar algo, me sacrificar por um bem maior, o apontador não concordaria com minha intenção suicida-salvadora.
- Olhe por outro ângulo. Somos indispensáveis. Como viver sem ter o que comer e sem o mínimo de educação? Poderíamos ser como o cartão de crédito que faz muitos se endividar, ficarem depressivos, compulsivos ou muitas vezes somente ficar esquecido dentro de uma carteira. Somos fundamentais..
- Ou se fossemos como a bebida, que pode causar tanta destruição se não for usada com moderação. Ela pode ajudar as pessoas a esquecer dos problemas por alguns instantes, mas causará algum sintoma negativo depois. Já se alguém me usar em demasia o máximo que pode ter é uma congestão.
Risos (!)
- Gosto do fato de sermos indispensáveis. Pensando assim, até parece mais fácil, diz o lápis. Mesmo não sendo..
- Basta que nos usem. Somos a primeira ferramenta de uma mudança comportamental humana que não podemos começar sozinhos.
- Será?
- O que seria dos estudantes se não fosse a escola, a educação, e eu(!) por tabela?diz o lápis
- Ninguém aprende de barriga vazia. Se não há comida não tem como, meu querido.
Todo o resto fica em segundo plano. afirma o lápis.
- Então quer dizer que você pensa que um prato de comida é o suficiente? Que os problemas serão resolvidos se fosse tiver o que comer?
- Suficiente sim. Claro que não somente isso. Mas sem isso o que seria?
- E sem educação, o que seria?
- Seria irracional. Sem um futuro digno, se posso dizer assim..
- Como animais. Que vivem, ou melhor, sobrevivem tendo o que comer apenas. Se bem que tem muita gente por aí que..
- Lápis, você é o “alimento” da inteligência. Eu sou o alimento físico.
- Ninguém vive sem a gente, falou o lápis.
- Sem você até vai, agora sem mim..
- Ah não! Novamente essa discussão de importâncias. Você é um cabeça dura!
- Se nem os seres humanos, racionais, entram em acordo como nós, meros objetos criaremos um novo dogma social ‘alimento-educacional - você depende disso!’
- Que acomodado, garfo!
- Você quer discutir infinitamente, é isso? Por que não simplesmente aceita o fato de sermos usados..
- Mesmo que eu quisesse mudar algo, me sacrificar por um bem maior, o apontador não concordaria com minha intenção suicida-salvadora.
- Olhe por outro ângulo. Somos indispensáveis. Como viver sem ter o que comer e sem o mínimo de educação? Poderíamos ser como o cartão de crédito que faz muitos se endividar, ficarem depressivos, compulsivos ou muitas vezes somente ficar esquecido dentro de uma carteira. Somos fundamentais..
- Ou se fossemos como a bebida, que pode causar tanta destruição se não for usada com moderação. Ela pode ajudar as pessoas a esquecer dos problemas por alguns instantes, mas causará algum sintoma negativo depois. Já se alguém me usar em demasia o máximo que pode ter é uma congestão.
Risos (!)
- Gosto do fato de sermos indispensáveis. Pensando assim, até parece mais fácil, diz o lápis. Mesmo não sendo..
- Basta que nos usem. Somos a primeira ferramenta de uma mudança comportamental humana que não podemos começar sozinhos.
- Será?
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Nunca tem ninguém conhecido no ônibus ao lado
Ela pegava o mesmo ônibus todos os dias, no mesmo ponto, não na mesma hora, pois ele se atrasava de vez em quando - o trânsito podia transforma-se no caos a qualquer hora do dia. E, como em todos os outros dias a esperança vinha com o ônibus.
Sempre sonhou com uma vida melhor, um emprego mais bem remunerado, uma reforma na casa, roupas mais bonitas. Mas não era do tipo que reclamava, ao contrário, contentava-se com o que tinha e fazia questão de agradecer a Deus todos os dias.
Estava usando botas bem fechadas, por cima da calça chegando até metade da canela. E também um lenço no pescoço xadrez afim de proteger o pescoço. Qualquer ventinho era suficiente para fazer sua garganta doer. Nos lábios, baton rosa claro, a cor da moda.
Não necessitava de boas vestes e de assessórios para designar o seu trabalho, mas sempre procurava arrumar-se, de uma maneira não muito chamativa. Gostava de uma boa aparência.
165. O ônibus vinha apressadamente cortando o horizonte.
Vai até a beira da calçada e faz sinal com a mão para que o ônibus pare.
Quando ele se aproxima, passa por cima de uma poça d’água, acumulada pela chuva da noite anterior, e a respinga. Nas pernas.
Por sorte não havia barro mas agora sua calça e suas botas estavam molhadas.
Não podia mais sentir o seu cheiro, de banho tomado com sabonete de erva doce, sentia apenas o odor da água da poça. Por menor que fosse o cheiro.
Estava com raiva, e com vergonha. O motorista nem pra pedir desculpas. “Essas coisas só acontecem comigo!” resmungava durante o trajeto. “Maldita poça.”
A luz amarela pisca e o vermelho dominador faz com que os carros, e os ônibus, parem do semáforo.
Ela olha pela janela e vê um ônibus aproximar-se do seu para também parar. “Nunca vejo ninguém conhecido parado no ônibus do lado” pensou com seus botões.
De repente alguém no outro ônibus abana, dá tchau com a mão. Também sorria. Parecia olhar na sua direção, já que o seu ônibus não estava muito cheio e as pessoas dali não pareciam olhar naquela direção.
Olha novamente e vê o abano, incessante. E um sorriso daquele de mostrar todos os dentes. “Será que é pra mim?”
Chega a vez do verde e o ônibus acelera.Ela levanta-se, puxa a cordinha pois era chegada a hora de saltar.
Desce do ônibus sem olhar pros lados. Sem saber o motivo, queria evitar aquele ônibus que estava ao lado.
Caminha alguns passos na rua quando depara-se com um bilhete colado num poste: ‘bom dia, água do dia.”
Sempre sonhou com uma vida melhor, um emprego mais bem remunerado, uma reforma na casa, roupas mais bonitas. Mas não era do tipo que reclamava, ao contrário, contentava-se com o que tinha e fazia questão de agradecer a Deus todos os dias.
Estava usando botas bem fechadas, por cima da calça chegando até metade da canela. E também um lenço no pescoço xadrez afim de proteger o pescoço. Qualquer ventinho era suficiente para fazer sua garganta doer. Nos lábios, baton rosa claro, a cor da moda.
Não necessitava de boas vestes e de assessórios para designar o seu trabalho, mas sempre procurava arrumar-se, de uma maneira não muito chamativa. Gostava de uma boa aparência.
165. O ônibus vinha apressadamente cortando o horizonte.
Vai até a beira da calçada e faz sinal com a mão para que o ônibus pare.
Quando ele se aproxima, passa por cima de uma poça d’água, acumulada pela chuva da noite anterior, e a respinga. Nas pernas.
Por sorte não havia barro mas agora sua calça e suas botas estavam molhadas.
Não podia mais sentir o seu cheiro, de banho tomado com sabonete de erva doce, sentia apenas o odor da água da poça. Por menor que fosse o cheiro.
Estava com raiva, e com vergonha. O motorista nem pra pedir desculpas. “Essas coisas só acontecem comigo!” resmungava durante o trajeto. “Maldita poça.”
A luz amarela pisca e o vermelho dominador faz com que os carros, e os ônibus, parem do semáforo.
Ela olha pela janela e vê um ônibus aproximar-se do seu para também parar. “Nunca vejo ninguém conhecido parado no ônibus do lado” pensou com seus botões.
De repente alguém no outro ônibus abana, dá tchau com a mão. Também sorria. Parecia olhar na sua direção, já que o seu ônibus não estava muito cheio e as pessoas dali não pareciam olhar naquela direção.
Olha novamente e vê o abano, incessante. E um sorriso daquele de mostrar todos os dentes. “Será que é pra mim?”
Chega a vez do verde e o ônibus acelera.Ela levanta-se, puxa a cordinha pois era chegada a hora de saltar.
Desce do ônibus sem olhar pros lados. Sem saber o motivo, queria evitar aquele ônibus que estava ao lado.
Caminha alguns passos na rua quando depara-se com um bilhete colado num poste: ‘bom dia, água do dia.”
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Quem?
Preparo um café. Morno. Como tudo nos últimos tempos - nem quente nem frio. Morno e medíocre.
Fico parada olhando o vazio, o nada que parece ocupar um lugar.
Revolto-me com o (des)necessário.
A caneta sem tinta bem como a impressora que só tem servido para acumular pó.
Não há comunicação. Como se as palavras criassem distanciamento.
O entregador de água engarrafada trouxe consigo os votos de “boa semana!”.
Ele cheirava a cachaça. E a semana mal começou..
Vícios. Como hoje é um dia qualquer, por que não?
Nem as lembranças boas motivam a um despertar alegre, com um salto da cama e um “bom dia, sol”. O cinza predomina.
Não me reconheço.
Fico parada olhando o vazio, o nada que parece ocupar um lugar.
Revolto-me com o (des)necessário.
A caneta sem tinta bem como a impressora que só tem servido para acumular pó.
Não há comunicação. Como se as palavras criassem distanciamento.
O entregador de água engarrafada trouxe consigo os votos de “boa semana!”.
Ele cheirava a cachaça. E a semana mal começou..
Vícios. Como hoje é um dia qualquer, por que não?
Nem as lembranças boas motivam a um despertar alegre, com um salto da cama e um “bom dia, sol”. O cinza predomina.
Não me reconheço.
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