segunda-feira, 3 de maio de 2010

Do ócio à criatividade

Aula de Física útil e agradável, colegas dispostos a soltarem suas palavras numa folha de papel. O resultado tá aí:


Luíza
pequena
queria um
marujo tranqueira
mas de bom coração para poder se divertir
É uma pena que o marujo estava com a perna quebrada e não pode casar-se com a princesa Alice.
Nada mais seria perfeito na casinha de bonecas...
Pra ela o tempo passou, mas o marujo continuou ali, imóvel, inquieto e tão frio. Mas ele não contava com a astúcia de Alice, que quando surgiu oportunidade aproveitou e chamou a amiga Rapunzel para um papo e falar sobre a relação com o marujo coxo.
Será que tudo na vida dos dois seria de altos e baixos?
Talves tudo seja devaneios de sua mente e princípios de loucura. Poderia ser, mas algo como lágrimas solitárias escorriam sobre o rosto de Alice.
Lágrimas que caíam ao lembrar do passado, toda aquela nostalgia.. Havia incertezas de que aquela era a vida que sonhara. A depressão do momento seria devido a ausência de amor verdadeiro? Ou seria devido a impossibilidade da realização de um sonho?
Sonhos?
O marujo estava ali, tão perto e também tão longe dela.
Seis horas. Chegara a hora de deixar o marujo, a amiga Rapunzel e o sentimentalismo no texto da peça de teatro e assumir sua verdadeira identidade- apesar de a vida real misturar-se com a ficção.
Atriz talentosa e bem sucedida, mas, infeliz no amor.
Sonhava com aquele marinheiro que ficou naquele porto..
Ela fez sua escolha, preferiu ela á ele.
Precisava continuar sua rotina e esquecer o marujo. Porém, não conseguia continuar sua vida. Passava dias e noites imaginando como seria a vida com o marujo w foi se perdendo em seus pensamentos, chegando a beira da insanidade.
Ficção e realidade. Ela estava cada dia mais confusa. Tudo tão semelhante e ela temia tanto isso...
Realidade e ficção misturadas, mas se a ficção se concretizasse o fim seria inevitável.
Porque não viver nos sonhos? Acreditar que o melhor pode sempre acontecer, que o marujo estaria ali quando precisasse de ombros fortes para suportar o peso da realidade.

FIM



Créditos: Michele, Alisson e Carol, que participaram com muita criatividade :D
e aos outros colegas, pela ânsia em ler nosso primeiro texto!

domingo, 25 de abril de 2010

Indiferente

Lembrou que estava vivo ao ouvir seus próprios passos enquanto descia as escadas.
Vivia da rotina, dos dias perfeitamente calculados. O destino não lhe dava trégua, fazia tudo acontecer do mesmo jeito –como o programado- todos os dias. Nenhum incidente, mudança repentina. Nem susto tomava.
Era sexta-feira. O dia acordara nublado, com cara de ressaca. Ao sair de casa, um gato preto cruzou seu caminho.Perdera a fé em praticamente tudo, portanto não existia sorte ou azar, muito menos superstição. Apenas um gato preto. Poderia ter sido qualquer outro animal.
Não tinha relacionamentos. Falava apenas o necessário com os colegas de trabalho. Os vizinhos não sabiam seu nome.
Sem revoltas, comoção ou apego. Não se questionava. Vivia no modo “automático”.
Sabia que hoje não é ontem pois todos os dias arrancava a folhinha do calendário que ficava em cima de sua mesa no trabalho. Era a primeira coisa que fazia ao chegar. Assim, não se perdia no tempo. Ontem era nove e hoje é dez. Os dias tinham apenas diferença numérica.
Extravagância era algo desconhecido.
Caminhava pelas prateleiras do supermercado, que, aliás, havia decorado o lugar dos produtos. Sempre comprava os mesmos. Deparou-se com a sessão das bebidas. Não conhecia o gosto de nenhuma. Sem experiências alcoólicas, como escolher uma adequada?
Sentou-se no sofá de casa e começou a beber o vinho quente. As pernas começaram a amolecer, o rosto ficava cada vez mais rosado. Surgiram pensamentos delirantes, escabrosos. A ficção dos pensamentos misturava-se com a acomodação daquela vida, daquela casa. Olhava seus móveis e objetos. Os livros devidamente alinhados na estante, as almofadas arrumadas uma a uma no sofá. E pensamentos soltos, confusos, delirantes.
Quem eram aquelas pessoas? Como surgiram? Estavam ali mesmo ou era seu passado trazendo nostalgia?
Acordou com os raios de sol que entravam pela janela. Dormira no sofá. A garrafa vazia, caída no chão.
Sem noção das horas, de qual dia era. Precisava sair pro trabalho?
Não sabia quem era.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

;

A vírgula perguntou ao ponto se ele não cansava de ser final. Ele, sorridente, disse que poderia ser também exclamação(!), causar dúvida(?) ou ser um trigêmeo subentendido(...)
Não satisfeita, ela se dizia mais feliz - prolongava o que era bom, separava o desnecessário, e não dava fim a ninguém.
O ponto disse que depois do fim logo vinha um recomeço, como num ciclo.
Para contentar a todos, o ponto se juntou a vírgula(;), tendo que, para isso, dar as devidas explicações!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Relógio

Sou refém do tempo,
viciada nos ponteiros.
Atrasada e pontual
Ele não mostra nada
nem o que está passando
nem o que já foi.
Que horas marcam no meu relógio?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amaria

Dona Maria
aquela senhora sozinha,
em seu jardim.

Tulipas, orquídeas e camélias
todo o cuidado e dedicação.
A senhora de coração vazio
passou a vida inteira pensando
que ninguém a amaria

Alguém a amou
Alguém amou Maria
No silencio, nas entrelinhas
sem que ninguém soubesse
que ele a amaria

Para a vida toda

Violetas, Rosas, Margaridas
Entre tantas flores e nomes
ele escolheu a Maria.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Deficiência cultural

Usarei uma pecinha loira e contemporânea para exemplificar minha crítica. Nada pessoal, até por que, eu atiraria no próprio pé ao falar mal dele.
Por ser a capital do Estado, Florianópolis deveria oferecer mais cultura. Sei que nesta ilha há muita gente que luta - para aproximar a literatura do povo, para que música seja ouvida, sentida, para que peças de teatro sejam vistas. Mas o esforço não é suficiente.
Ontem (09/03/2010), Humberto Gessinger do (ex) Engenheiros do Hawaai esteve num dos shoppings da cidade, para uma pequena apresentação musical seguida de uma sessão de autógrafos do seu novo livro( Pra ser sincero)
O local estava lotado. Pessoas em todos os andares, esforçando-se para ver uma pontinha do cantor, tentando registrar o momento com uma fotografia.
A livraria onde ocorreu a sessão de autógrafos nunca estivera tão cheia.
Grande maioria das pessoas que aguardavam na fila por um autógrafos eram jovens, que se pisoteavam educadamente. Muitos estavam numa loja de livros pela primeira vez, afirmando seu lado capitalista despertado pelo loiro gaúcho, outros entraram ali “por causa do movimento”.
A vinda do Humberto foi um pequeno deleite para os fãs. E se ele viesse uma vez por mês à livraria? Durante quantos meses a lotação continuaria?
A euforia vem da falta. Não quero questionar a quantidade, muito menos a qualidade, dos fãs do Humberto, e sim, meu espanto com a falta de eventos culturais por aqui.

Como ter uma cidade mais cultural? Valorizar o que temos e lutar por mais?
A culpa da deficiência cultural é de alguém?





Pela qualidade, dá pra ver que a foto foi tirada por mim. E, no dia em que eu consegui a foto, teve ciclone em Floripa. (!)
"Nem tão longe que eu não possa ver. Nem tão perto que eu possa tocar."

Parênteses

Não sei quando vou aprender.. a esperar menos das pessoas, em pensar que farão sacrifícios necessários para o bom convívio, a lembrar- nos momentos de raiva- que a imperfeição está aí, livre, leve e solta.
Sinto-me babaca por atitudes alheias. E não deveria ser assim...
Paciência é uma virtude.
A verdadeira prova de amizade está na tolerância?



“..assim você me perder e eu perco você, como um barco perde o rumo, como uma árvore no outono perde a cor."