sexta-feira, 26 de março de 2010

Relógio

Sou refém do tempo,
viciada nos ponteiros.
Atrasada e pontual
Ele não mostra nada
nem o que está passando
nem o que já foi.
Que horas marcam no meu relógio?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amaria

Dona Maria
aquela senhora sozinha,
em seu jardim.

Tulipas, orquídeas e camélias
todo o cuidado e dedicação.
A senhora de coração vazio
passou a vida inteira pensando
que ninguém a amaria

Alguém a amou
Alguém amou Maria
No silencio, nas entrelinhas
sem que ninguém soubesse
que ele a amaria

Para a vida toda

Violetas, Rosas, Margaridas
Entre tantas flores e nomes
ele escolheu a Maria.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Deficiência cultural

Usarei uma pecinha loira e contemporânea para exemplificar minha crítica. Nada pessoal, até por que, eu atiraria no próprio pé ao falar mal dele.
Por ser a capital do Estado, Florianópolis deveria oferecer mais cultura. Sei que nesta ilha há muita gente que luta - para aproximar a literatura do povo, para que música seja ouvida, sentida, para que peças de teatro sejam vistas. Mas o esforço não é suficiente.
Ontem (09/03/2010), Humberto Gessinger do (ex) Engenheiros do Hawaai esteve num dos shoppings da cidade, para uma pequena apresentação musical seguida de uma sessão de autógrafos do seu novo livro( Pra ser sincero)
O local estava lotado. Pessoas em todos os andares, esforçando-se para ver uma pontinha do cantor, tentando registrar o momento com uma fotografia.
A livraria onde ocorreu a sessão de autógrafos nunca estivera tão cheia.
Grande maioria das pessoas que aguardavam na fila por um autógrafos eram jovens, que se pisoteavam educadamente. Muitos estavam numa loja de livros pela primeira vez, afirmando seu lado capitalista despertado pelo loiro gaúcho, outros entraram ali “por causa do movimento”.
A vinda do Humberto foi um pequeno deleite para os fãs. E se ele viesse uma vez por mês à livraria? Durante quantos meses a lotação continuaria?
A euforia vem da falta. Não quero questionar a quantidade, muito menos a qualidade, dos fãs do Humberto, e sim, meu espanto com a falta de eventos culturais por aqui.

Como ter uma cidade mais cultural? Valorizar o que temos e lutar por mais?
A culpa da deficiência cultural é de alguém?





Pela qualidade, dá pra ver que a foto foi tirada por mim. E, no dia em que eu consegui a foto, teve ciclone em Floripa. (!)
"Nem tão longe que eu não possa ver. Nem tão perto que eu possa tocar."

Parênteses

Não sei quando vou aprender.. a esperar menos das pessoas, em pensar que farão sacrifícios necessários para o bom convívio, a lembrar- nos momentos de raiva- que a imperfeição está aí, livre, leve e solta.
Sinto-me babaca por atitudes alheias. E não deveria ser assim...
Paciência é uma virtude.
A verdadeira prova de amizade está na tolerância?



“..assim você me perder e eu perco você, como um barco perde o rumo, como uma árvore no outono perde a cor."

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sepulcral

Eram sete horas, ela girou a torneira, pendurou a toalha e escolheu um sabonete de erva doce. Trancou a porta, apesar de não ter ninguém em casa, era um hábito - como se fosse um isolamento.
Colocou a mão na água, sentiu que a temperatura estava ideal. Molhou primeiramente os pés, foi sentando vagarosamente.
Parou e ficou ali parada, com a água na direção do peito. Olhava para o nada.
A banheira era uma espécie de divã. Gostava de ficar ali, pensando na vida, ou não pensando em nada, enquanto os dedos ficavam murchos.
O silêncio sepulcral tomava conta do banheiro, e de toda a casa.
Ela olhou para a tomada, para o secador de cabelo e para a lamina de barbear.
Pensava na dor. Na falta e no excesso.
Até que o silencio foi interrompido pelos chamados de sua filha, clamando pela mãe, que acabara de entrar em casa.
Saiu rapidamente da água, tirou a tampa do ralo, vestiu a roupa e foi logo ao encontro da menina, que resolvera desculpar a mãe e voltara para o lar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vinte e três primaveras.

Hoje, especialmente, não usarei falsas palavras pra demonstrar uma alegria profundamente amarga.
Escrevo pra dizer que não esqueci, por que tem coisa que não se esquece- por mais difícil que seja.
No fim, "nada mais importa".




"Sleight of hand and twist of fate/on a bed of nails she makes me wait/and I wait without you"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

As luas de janeiro

Não há dúvidas de que a lua possui uma beleza incomum, privilegiada, encantadora. Especialmente a cheia.
Lembro daquela sexta-feira de janeiro – calor, começo de noite, aquela lua gigante, que mais parecia um sol, amarelada assim que surgiu. Durante todo o trajeto até a praia ela nos acompanhou no céu. Visão privilegiada - parecia que estávamos indo até ela. Esse dia (noite?) ficou marcado na lembrança.

Tempo decorrido, mês de janeiro, 2010. Sábado.
Lua cheia. Linda, grande e amarelada, como naquele outro dia.
A noite chega, ela vai ficando branquinha, e ilumina a escuridão. A nossa escuridão. É sensacional olhar as horas no relógio de ponteiro à noite, na praia, com a iluminação do luar.

As luas (cheias) de janeiro marcam, impressionam, e me fazem refletir sobre a grandeza da vida, sobre o desconhecido.
A imensidão e o nada.