terça-feira, 3 de maio de 2011

pontos de vista no outono



Por que os relógios tem uns números maiores que os outros?Ok, sem generalizar. Por que este relógio, aqui, tem alguns números que se destacam? Quem disse que o 12 é mais importante que os outros? De onde vem esse conceito? Apenas quatro números, aqui, se sobressaem. São quatro pontos exatamente colocados, marcados. Mas por que não destacar o 2, o 5, o 7 e o 11, por exemplo?
Esse relógio, aqui, tem os números, além de destacados, em outra cor, diferente dos demais. Vermelho, de sangue. E nem é pra combinar com o lugar. Eu acho.
Por que destacar os números, que ali são horas? E por que estas horas?
Injusto. 



A cadeira essencialmente posicionada onde se pode ver várias árvores, quando sentado nela. A mesma árvore pode ser vista por duas janelas.
E hoje eu vejo um céu azul, limpo, quase sem nuvens. o mesmo vento que balança os galhos das árvores levou as nuvens pra longe. Levou também você pra longe – por que é o mesmo vento de ontem.
Ventava ontem?
 e eu nem sei se você levou. Você levou?
Levou-se? Levou-me?
E se foi, será que chegou?


Eu tinha desistido de te procurar por aí, sei que não estás em nenhum outro corpo, coração, rosto ou barba.
Ao olhar pro lado, no fatídico dia em que o vento balança, sem piedade, as folhas da árvores, eu te vejo personificado nele – alguns anos mais velho, obviamente sem o mesmo espírito. É outra alma. Uma aura diferente, totalmente.
Mas este corpo me lembra você. E este corpo parece me querer. Mas ele não é você, então eu não o quero.
Seria a minha decadência.  
A realidade é triste, perturbadora, então vem a ilusão como uma válvula de escape. Mas ilusão parece, e pode, ser algo triste. Eu prefiro a imaginação, mesmo eu sendo uma imagem sem ação.
Eu sou isso. E isso me convém.
  



Um comentário: