Sangue que não é meu
suja a minha cama
que quase sempre vazia
não sabe que santo chama
sábado, 23 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Braços cruzados
Não consegui dormir. Tava calor, mesmo com o ventilador
ligado na velocidade mais alta. A cama grande não estava tão vazia assim. Talvez
seja por isso: te esperei tanto, sonhei tanto contigo deitada ao meu lado, que
quando fui surpreendida com isso, abalei. Por que eu te senti distante, mesmo
carinhosa. Teu cheiro não era o teu.
Virei-me várias vezes, de um lado para outro, na cama. Por receio
de te acordar, pensei em ir deitar no sofá da sala, mas ia estar muito calor e
eu queria o mínimo de conforto para poder acordar bem no dia seguinte e ir
fazer prova.
O que os braços cruzados tentam esconder, na verdade, é o
coração, e não o braço. Por que este já não bate nem apanha, Arnaldo.
Acordo de manhã cedo e quero uma coisa e quando vou dormir à
noite quase tudo mudou – e, no fim, eu realmente não sei o que fazer. É uma
responsabilidade grande, eu, e somente eu, preciso decidir as coisas, mas eu
queria algo que me dissesse, como nos jogos de tabuleiro, “avance duas casas”
ou “fique uma rodada no mesmo lugar”.
Talvez eu precise deixar o tempo passar, as coisas
acontecerem sozinhas, com esperança de que elas dêem certo, de alguma maneira. Mas
falta tempo, e sobra falta.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Fuga(z)
Para Helo, com amor. Por
que o texto é teu desde a primeira frase que deu origem a ele.
A gente vive fugindo. E na maioria das vezes sem saber pra onde. Mas
nem todos querem fugir, aliás, tem uns que querem mesmo é ficar parados. Só quem
pensa demais quer fugir – por não estar satisfeito com o local em que está, com
o que está fazendo da vida, com as pessoas tem; se é que temos alguém nessa
vida, além da gente mesmo.
Antes a fuga do que o conformismo.
Mesmo sem
admitir, ou perceber, queremos ser melhores; queremos deixar tudo lindo, nos
conformes. Queremos ter prazer em toda transa, queremos comer o chocolate mais
gostoso do mundo a cada bombom que é comprado na fila do caixa do supermercado,
queremos a melhor festa, com música boa e gente bonita. E por que a vida não pode ser assim, não é
mesmo? Não tem nada de errado em querer que ela seja assim.
Fugir,
correr pra longe; pra um lugar distante ou para um abraço apertado, queremos
mesmo é ir. Porém o problema está aqui. E estar aqui talvez seja uma fuga de
verdade.
Como fica, então? Onde arrumar coragem pra sair da cama todo
dia e encarar a vida? A entediante, maçante, chata, mas linda, vida.
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