sábado, 23 de fevereiro de 2013

eu ou a cama

Sangue que não é meu
suja a minha cama
que quase sempre vazia
não sabe que santo chama

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Todas as folhas voaram
os pássaros bateram asas
e eu fiquei.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

No meio do "quem sou eu?"
me perdi
me desconstruí.
Mal entendia que
para saber quem realmente sou,
era preciso
um choque de realidade.
Sair do meu mundo
para descobrir o mundo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Deitei na cama, no escuro da noite
a inspiração veio.
Versos prontos.
Garanti que eu não esqueceria.
Não anotei e dormi.
Cadê a poesia?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Braços cruzados


Não consegui dormir. Tava calor, mesmo com o ventilador ligado na velocidade mais alta. A cama grande não estava tão vazia assim. Talvez seja por isso: te esperei tanto, sonhei tanto contigo deitada ao meu lado, que quando fui surpreendida com isso,  abalei. Por que eu te senti distante, mesmo carinhosa. Teu cheiro não era o teu.
Virei-me várias vezes, de um lado para outro, na cama. Por receio de te acordar, pensei em ir deitar no sofá da sala, mas ia estar muito calor e eu queria o mínimo de conforto para poder acordar bem no dia seguinte e ir fazer prova.

O que os braços cruzados tentam esconder, na verdade, é o coração, e não o braço. Por que este já não bate nem apanha, Arnaldo.

Acordo de manhã cedo e quero uma coisa e quando vou dormir à noite quase tudo mudou – e, no fim, eu realmente não sei o que fazer. É uma responsabilidade grande, eu, e somente eu, preciso decidir as coisas, mas eu queria algo que me dissesse, como nos jogos de tabuleiro, “avance duas casas” ou “fique uma rodada no mesmo lugar”.

Talvez eu precise deixar o tempo passar, as coisas acontecerem sozinhas, com esperança de que elas dêem certo, de alguma maneira. Mas falta tempo, e sobra falta. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fuga(z)


Para Helo, com amor.  Por que o texto é teu desde a primeira frase que deu origem a ele.

A gente vive fugindo.  E na maioria das vezes sem saber pra onde. Mas nem todos querem fugir, aliás, tem uns que querem mesmo é ficar parados. Só quem pensa demais quer fugir – por não estar satisfeito com o local em que está, com o que está fazendo da vida, com as pessoas tem; se é que temos alguém nessa vida, além da gente mesmo.
Antes a fuga do que o conformismo.
            Mesmo sem admitir, ou perceber, queremos ser melhores; queremos deixar tudo lindo, nos conformes. Queremos ter prazer em toda transa, queremos comer o chocolate mais gostoso do mundo a cada bombom que é comprado na fila do caixa do supermercado, queremos a melhor festa, com música boa e gente bonita.  E por que a vida não pode ser assim, não é mesmo? Não tem nada de errado em querer que ela seja assim.
            Fugir, correr pra longe; pra um lugar distante ou para um abraço apertado, queremos mesmo é ir. Porém o problema está aqui. E estar aqui talvez seja uma fuga de verdade.
Como fica, então? Onde arrumar coragem pra sair da cama todo dia e encarar a vida? A entediante, maçante, chata, mas linda, vida. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012


Quando parece estar tudo correto com a enzima, vem alguém e muda o substrato – sem aviso prévio ou motivo convincente.
A fortaleza que voltava a ser construída, lentamente, desmorona  novamente. Escombros.
Começar de novo.