quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Descasado

Ele era desses fumantes não assumidos. Gostava de um cigarro quando estava bêbado em alguma festa, ou quando muito ansioso. Naquele momento, nenhuma dessas justificativas servia para explicar a fumaça que subia ao céu, e que antes passava pelas narinas arrebitadas de alguém que não tem mais tanto fôlego.
As luzes da sala estavam todas acessas, e enquanto ele fumava observava os carros que chegavam ao condomínio. Havia varias luzes acesas no prédio da frente. Escutou gritos de gol e ficou pensando se seriam da Copa do Brasil ou do Campeonato Brasileiro. Quarta é dia de futebol.
Na metade do cigarro ela chega e o abraça por trás, fechando os braços na barriga saliente dele, que agora preguiçoso e atarefado não ligava mais para o peso corporal. Ele não reagiu ao afeto, apenas abaixou a cabeça e continuou fumando.
- Não dá mais pra mim, ele disse.
Vira-se de frente para ela, que sorri e não entende o que ele está querendo dizer.
- Não consigo. Não dá mais.
- Você está me assustando..
- Não posso casar contigo.
.
Enquanto ele colocava algumas peças de roupa na mochila, ela chorava desesperadamente sentada no chão da sala.
- Vou para a casa da minha mãe hoje. Depois não sei. Talvez eu vá embora.
- Não acredito no que está acontecendo. Tais ficando maluco?
Ele novamente abaixa a cabeça, confere se o isqueiro está no bolso da calça e sai sem bater a porta. A única certeza que ele tinha no momento é de que não voltaria mais àquele apartamento.
Saiu caminhando pela rua, a noite estava bem nublada e não dava para ver nenhuma estrela. Pegou o celular e procurou um contato na agenda. Há quanto tempo aquele número estava salvo ali? Sem hesitar, apertou no botão “ligar” e ouviu somente a gravação: “este número não existe”. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

do amor nas relações:

Queria uma maneira de expressar
todo esse sentimento contido
nos dias de ausência.
Meia hora, uma refeição
café, compras, compromissos.
E tudo parece como sempre foi
como é, e não deixará de ser,
por mais que o tempo passe.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Dica: ler ouvido Lua e estrela, do Caetano Veloso.

Por não saber o que fazer,
fiz uma poesia.
Na esperança de que me leias,
mantenho a escrita
no papel, na parede, na pele,
quem sabe eu te encontro..

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Uma lua que sorri
para todos aqueles que,
todos os dias,
passam por debaixo dela
e não estão nem aí
Quantos sorrisos são desprezados
por que estamos muito ocupados
perdendo o sorriso
por outra coisa
ou outro alguém

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

À tarde

Pensando em ti
perdi o guarda-chuva.
Pensando em outro alguém
comprei um livro.
Quantas coisas faço
pensando no outro?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Há cadeiras onde não se pode sentar
onde apenas alguns podem estar.
Não é pra qualquer um, dizem
É para quem, então?
Pra vocês, que tem ideias tão modernas?
Ou pra mim, que, assim como muitos,
gostaria de estar aí, deste lado
mas que, por mais que tente,
nunca irá conseguir?
Com lados limitados, é preciso escolher apenas um
não vale estar em cima do muro.
Por que o muro é derrubado,
apedrejado.
E nós?
precisamos estar encorajados.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

mudamos

Não sei onde encontrar conforto, nem o que comer. Não sinto fome, nem frio, nem vontade. Um vazio inexplicável toma conta de mim. Não sei se eu sei lidar com ele. As lembranças começam a se tornar boas recordações do passado, a saudade começa a doer - e a sensação de que estes momentos não voltarão. De que o que volta é a vida normal, a rotina. Alias, é a rotina que me faz seguir em frente, que me faz levantar da cama todos os dias para ir a uma aula chata ou fazer algo desagradável. Se não fosse por ela talvez eu não conseguiria. Por que a rotina também me faz lutar, me faz querer fazer as coisas de um jeito diferente, me faz querer mudar. Me mudar, mudar os outros, para aí mudar o mundo. Faço tudo isso, todos os dias, para viver momentos de plenitude, num futuro que eu espero não demorar muito para chegar, e acontecer novamente.