domingo, 14 de agosto de 2011

Desesperadamente quieto


Por que hoje ninguém me tira esse silencio. Nem a melhor das conversas, a pessoa mais falante do mundo, nem essa música agitada.  Só falariam o que eu já não agüento mais ouvir, o que eu quero achar que esqueci, ou que ficou pra trás.
Hoje o meu silencio parece não querer ficar calado. Ele ocupa espaço, me perturba cada vez que eu paro evito pensar mas quando vejo jáestoupensando.
Não sei como por esse silencio inconveniente pra fora, não sei se eu conseguir fazer com que o vazio seja inspirador.Tá mais pra desesperador. Desesperadamente quieto. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011


O quadro negro não é mais negro
Até ele mudou
(e por que não poderia, não é mesmo?)
Tanta coisa diferente
e eu aqui, no mesmo lugar.

Agora o quadro é branco
o giz se aposentou
Será que foi embora?
Você do mesmo jeito, sempre igual
Será que vai voltar?

domingo, 7 de agosto de 2011

- Qual parte do corpo você mais gosta?
- Acho que as mãos. São tão..pessoais.
- Mas todas as nossas partes do corpo são pessoais, não?
- São sim.  Eu quis dizer que as mãos são especiais, ao menos pra mim. Elas parecem ter identidade. Você pode dar um sorriso falso, as mãos raramente mentem.
- Por isso você gosta tanto de segurá-las?
- Creio que sim. Elas representam um mundo. Um mundo pra mim. O mundo nas minhas mãos.


 "Mãos e coração, livres e quentes...”
Antigamente eu queria ler coisas diferentes, ver filmes que nunca vi, descobrir bandas, cantores.
Hoje sinto vontade de ver o mesmo filme, toda vez que assisto um. Ouço as mesmas bandas e as mesmas músicas, todo dia. E ando relendo os mesmos livros, os mesmos autores.
E não tento mais responder aquelas velhas perguntas.
O que mudou?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Novidade efêmera

Compro canetas novas e passo a escrever só com elas. Quando um sapato é novo, parece que apenas ele combina com qualquer coisa que eu vista.  E uma roupa nova torna-se repetitiva, de tantas vezes que é usada, pois só ela fica atraente no guarda-roupas.
O que escolher no guarda-roupas da vida? Com qual cor de caneta assinar o veredito?caminhar de pés descalços sempre pareceu mais atraente..
Querer sempre mais sempre foi um problema. Assim como achar sinônimos. Ou querer definir o que ninguém  consegue explicar. O que parece não ter fim

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A música acabou e eu não ouvi o trecho que queria. Aquela parte que, quando toca, sempre me faz lembrar. E eu coloquei a música de propósito, por que eu quis lembrar de ti. Eu quis, hoje. Amanhã pode ser que eu nem lembre a tua existência, que nem passe pelos meus pensamentos.
A música passou. Você não.
Nunca passa

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Escrevo sem saber o que digo, ouço sem saber se gosto.
Não sei dizer nem que sim, nem que não.
Em tempos de incertezas, tudo o que vejo é desilusão.
E eu ainda não encontrei a saída